Crônica de fim de ano escolar.
Quando o relógio marcou sete horas, eu e quase todos os meus colegas professores já nos encontrávamos na escola. Munidos de enxadas, partimos para a área de reflorestamento, com a função de limpar ao redor das mudinhas de árvores nativas plantadas a cerca de um ano. Depois de removidos as ervas daninhas que as impedem de crescer, teríamos que demarcar cada uma das miúdas com uma taquara.
- Cada um pega uma carreira de árvores. Avisou o diretor.
A professora que ficou sem enxada encarregou-se do chimarrão e trouxe logo duas cuias, que foram passando de mão em mão como manda a nossa tradição gaúcha. Enquanto duas tomavam a bebida típica e aproveitavam para descansar, as outras caprichavam na capina.
Percebemos logo que algumas mudas ainda são bem pequenas, em contraste com outras espécies que já estão bem grandes e se defendem sozinhas.
Algumas mudinhas desconhecidas por pouco não foram sacrificadas, pois eram confundidas com erva daninha. Eu mesma quase que carpi fora uma que mais parecia vassourinha, mas felizmente o diretor avisou a tempo que se tratava de uma ..., e assim a pobrezinha foi preservada.
O solo estava bastante compacto e seco, pois estamos passando por uma estiagem.
O sol aos poucos foi esquentando, mas as docentes não se intimidaram, pois a camada de filtro solar passado no rosto, antes do início do trabalho, foi bem generosa.
Logo as mãos delicadas das professoras começaram a arder e os calos avermelhados apareceram, mas que nada, esse não é o primeiro mutirão que nós fazemos, pois temos uma área de reflorestamento mais antigo, o qual hoje já pode ser considerado mato fechado porque foi bem cuidado, pois não adianta plantares as mudas de árvores e depois abandonar, precisa-se de limpeza, controle das formigas, replantio de mudas onde não vingou. São muitos os cuidados necessários para que um projeto como esse de certo.
Para quem não é acostumado a capinar, esse é um trabalho bem difícil, dói o corpo, a coluna não aguenta, além disso, os mosquitos charqueavam nossa pele, mas que nada, pois em meio ao trabalho árduo estava a conversa amiga, a troca de experiência e conselhos, atividades que no corre-corre do ano letivo dificilmente sobra tempo para se fazer.
Nesse primeiro dia, a metade da área ficou pronta e sem sacrifício algum, pois rimos muito, conversamos bastante, nos divertimos.
Quando o sol esquentou para valer, era hora de parar. Então, voltamos à escola para descansar e tomar um suco gelado.
Não somos professoras só de sala de aula, aplicamos nossas teorias, vivenciamos na prática nossos projetos pedagógicos, cuidamos do meio ambiente, conhecemos nossos alunos, visitamos suas famílias, o que é possível em uma escola do interior.
No outro dia, é claro que estávamos todas no batente novamente e conseguimos deixar todas as mudinhas da área de reflorestamento limpas e demarcadas. Foi um bom trabalho, que contou com toda a equipe de educadores da Bento Gonçalves.
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